Dados e Pesquisa 16 de Julho, 2026 • 11 min de leitura

Saúde mental no ambiente de trabalho: o que os dados de 2026 mostram

546 mil afastamentos, R$ 3,5 bilhões para o INSS, burnout triplicado: os números oficiais de 2025/2026 provam que saúde mental no trabalho deixou de ser tema de RH moderno e virou problema econômico — e regulatório.

Principais Conclusões

  • Recorde pelo segundo ano consecutivo: em 2025, o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais — alta de 15,6% sobre 2024, que já havia crescido 66%.
  • Ansiedade e depressão já são o segundo maior motivo de afastamento no país, atrás apenas das doenças da coluna: 166.489 e 126.608 benefícios em 2025.
  • O burnout triplicou em três anos (1.760 → 6.985 afastamentos) e as aposentadorias por invalidez por saúde mental quase triplicaram (1.849 → 5.358).
  • O custo só do INSS chega a R$ 3,5 bilhões — e o presenteísmo, o trabalhador presente mas improdutivo, custa ainda mais que o afastamento.
  • Globalmente, depressão e ansiedade custam US$ 1 trilhão por ano à economia mundial, com 12 bilhões de dias de trabalho perdidos (OMS).

Os dados de saúde mental no trabalho no Brasil chegaram a um ponto que nenhum gestor pode mais ignorar: 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, um recorde histórico batido pelo segundo ano seguido, com um custo estimado de R$ 3,5 bilhões apenas para o INSS. E isso é só a ponta visível — a OMS estima que o presenteísmo e a perda de produtividade custem cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global.

Este panorama, preparado pelo Instituto Ferrarezi, reúne os números oficiais do Ministério da Previdência Social, da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) — e explica o que cada um deles significa para o RH, para a empresa e para a obrigação legal que entrou em vigor em 26 de maio de 2026.

O retrato global: um trilhão de dólares perdidos por ano

Antes dos números brasileiros, vale o contexto mundial. Segundo a OMS, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais — cerca de 301 milhões com ansiedade e 280 milhões com depressão. No recorte laboral, estima-se que 15% dos adultos em idade de trabalhar tenham um transtorno mental em algum momento.

O impacto econômico é o dado que mais interessa a uma diretoria:

  • 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por ano no mundo por causa de depressão e ansiedade.
  • O custo em produtividade perdida chega a US$ 1 trilhão por ano — e a maior parte está no presenteísmo, não no afastamento.
  • Os transtornos mentais são a segunda maior causa de incapacidade de longo prazo no mundo, atrás apenas dos problemas de coluna.
  • São cerca de 703 mil suicídios por ano no planeta, muitos ligados a condições de trabalho adversas.
  • A pandemia acelerou tudo: a OMS registrou um aumento de 25% nos casos globais de ansiedade e depressão.

Brasil: a curva que não para de subir

Os dados do Ministério da Previdência Social, divulgados em janeiro de 2026, mostram uma progressão que dispensa análises: os afastamentos por transtornos mentais passaram de 219.850 em 2023 para 472.328 em 2024 (alta de 66%) e 546.254 em 2025 — o maior número em uma década, batido pela segunda vez seguida. No mesmo ano, o país ultrapassou 4,1 milhões de licenças por incapacidade temporária, o maior volume em cinco anos.

Os números-chave de 2025 (Ministério da Previdência Social)

  • 546.254 afastamentos por transtornos mentais — recorde da década (+15,6% sobre 2024).
  • 166.489 por transtornos ansiosos — a causa isolada que mais afasta no país.
  • 126.608 por episódios depressivos — somados aos ansiosos, formam o segundo maior motivo de afastamento, atrás só da dorsalgia (237.113).
  • Burnout: 6.985 afastamentos — mais que o triplo de 2023 (1.760).
  • 5.358 aposentadorias por invalidez por saúde mental — quase três vezes mais que em 2023 (1.849).
  • 63,45% dos benefícios são de mulheres (346.613 de 546.254).
  • São Paulo lidera com 149.375, seguido de Minas Gerais (83.321), Rio Grande do Sul (46.738) e Rio de Janeiro (41.997).
  • Custo estimado ao INSS: R$ 3,5 bilhões — considerando a média de três meses afastado com benefício de cerca de R$ 2.140/mês.

O levantamento da ANAMT sobre o mesmo período reforça a leitura: entre 2023 e novembro de 2025, os afastamentos por saúde mental praticamente dobraram, e apenas os códigos de ansiedade (F41) responderam por cerca de 40% de todos os casos. O custo dos benefícios concedidos só em 2025 ultrapassou R$ 954 milhões — sem contar o que a empresa paga em salários, substituição de equipe e produtividade perdida.

O custo invisível: presenteísmo vale mais que o afastamento

O afastamento é a parte mais visível do problema — e, ironicamente, não é a mais cara. As diretrizes da OMS sobre saúde mental no trabalho são explícitas: o presenteísmo — o funcionário presente, mas com capacidade de produção reduzida por sofrimento psíquico — concentra a maior parte do custo financeiro. Um colaborador com ansiedade ou depressão não tratada trabalha mais devagar, erra mais, se afasta do convívio e acaba contaminando o clima da equipe.

Some-se a isso o turnover — quem adoece tende a pedir demissão ou a gerar passivo trabalhista —, o retrabalho, os conflitos e o aumento de riscos de acidentes. Para cada R$ 1 de benefício previdenciário pago, as estimativas internacionais apontam vários reais adicionais de custo indireto para a empresa. Por isso, medir saúde mental não é gasto: é a leitura mais barata que um RH pode fazer do seu maior ativo.

O que os números dizem para o RH (e o que a maioria ainda não faz)

A OMS constata que apenas 35% dos países relatam programas nacionais de promoção e prevenção da saúde mental relacionada ao trabalho, e que os governos investem, em média, só 2% dos orçamentos de saúde em saúde mental. No nível das empresas, o diagnóstico não é diferente: a maioria só reage quando o afastamento acontece — ou seja, na fase mais cara e mais tardia do problema.

Os dados de 2026 mudam o jogo em três frentes:

  • Prevenção passou a ser obrigação legal: desde 26/05/2026, a NR-1 exige o gerenciamento dos riscos psicossociais no GRO — a empresa que não mede, não identifica e não age está formalmente em não conformidade, sujeita a multas que vão de R$ 416 a R$ 6.935 por item.
  • Dado virou evidência: o inventário de riscos psicossociais e o plano de ação são documentos que a fiscalização cruza com a realidade do trabalho — como detalhamos em NR-1 em vigor: o checklist de adequação.
  • Quem mede antes, gerencia melhor: as empresas que identificam os fatores de risco por área — antes de virarem afastamento — têm um plano de ação real, não um discurso.

Como transformar dados em gestão (e sair da reação)

Os números acima respondem ao "porquê". O "como" é mais simples do que parece quando existe método: o caminho técnico é o do mapeamento de riscos psicossociais no PGR — identificar perigos, avaliar com instrumento validado e anônimo (COPSOQ III ou DASS-21), classificar por severidade × probabilidade e transformar cada fator crítico em ação com responsável e prazo. E é exatamente esse ciclo que a plataforma SERENUS 360º automatiza:

  • Questionário inteligente e anônimo com protocolo DASS-21, aplicado por área e grupo — gerando o dado primário de identificação e avaliação, sem risco de exposição individual.
  • Painel gerencial com indicadores contínuos — absenteísmo, escore de estresse e satisfação por setor — para o monitoramento entre as revisões bienais.
  • Alertas preventivos quando um grupo entra em zona de risco, permitindo agir antes do afastamento — o ponto em que o custo é uma fração.
  • Relatórios estruturados prontos para integrar o inventário de riscos e o plano de ação do PGR, com a coerência técnica detalhada em Evidências Técnicas de Mapeamento Psicossocial.

Conclusão: os dados já mudaram o jogo

Os números oficiais de 2025/2026 encerram qualquer debate sobre a relevância da saúde mental no ambiente de trabalho: 546 mil afastamentos, R$ 3,5 bilhões para o INSS, burnout triplicado, presenteísmo custando mais que o afastamento e uma norma em vigor que exige gestão de riscos psicossociais. O debate agora é outro — e é operacional: sua empresa sabe, área por área, onde estão os fatores de risco? Tem um plano de ação com responsável e prazo? Tem o monitoramento documentado?

Se a resposta for "não", o ponto de partida está dado — e o custo de adiar só cresce, como mostram os números do CID QD85, burnout e afastamento. A boa notícia é que a tecnologia de medição e monitoramento já existe e cabe na rotina do RH: medir hoje é mais barato do que afastar amanhã.

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